CASAL BAIONENSE PARTIU HÁ 51 ANOS PARA FRANÇA À PROCURA DE UMA VIDA MELHOR

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O concelho de Baião, nesta altura de ano, enche-se daqueles que partiram para outro país à procura de oportunidades que aqui não encontraram, que deixaram a sua terra para segundo plano, mas que todos os anos regressam à cidade mãe para matar as saudades.

Américo Lemos Ribeiro e Maria Rosa Pinto partiram de Baião à procura de um futuro melhor para eles e para a sua filha.

O jornal “O Comércio de Baião” decidiu ir ao encontro deste casal emigrante, naturais da freguesia de Valadares para conhecer melhor a sua história e vivência num país que não era o deles.

O baionense, Américo Lemos, emigrou para a cidade de Orleans em França em 1970, quando tinha apenas 25 anos. Três anos mais tarde, a sua esposa Maria Pinto juntou-se a ele com a sua filha que tinha apenas três anos.

“Partir nunca é fácil, mas queria uma vida melhor, então decidi partir para Orleans. Foi uma mudança atribulada, umas das coisas mais difíceis foi a viagem para lá. Principalmente até Salamanca, fomos numa barca, andei num de carro de ovelhas, só quando cheguei a Salamanca e entrei no comboio é que as coisas melhoraram”, começou por contar Américo.

Depois da chegada àquela que seria a sua nova “casa”, o baionense admitiu que o maior obstáculo de todas foi a língua. “Foi muito complicado. Como é óbvio não sabíamos falar, queríamos ir fazer umas compras e não percebíamos nada, então o que fazíamos era dar a carteira e eles lá tiravam o dinheiro”, relatou.

Entretanto, Maria Rosa Pinto, juntamente com a sua menina de três, decidiu partir em direção a Orleans para se juntar ao marido, numa nova vida, um novo país.

“Decidi ir com a minha filha, que na altura tinha três anos, para a beira do Américo, fizemos lá a nossa vida, e dificilmente voltaremos para Portugal definitivamente”, começou por admitir.

O casal, apesar de estar num país que não era o deles, sentiu-se bem recebido e integrado, e no que diz respeito a arranjar empregos, ambos conseguiram trabalhar para a mesma empresa até ao dia da reforma.

Américo trabalhou nas autoestradas, enquanto Maria Rosa conseguiu tornar-se assistente de enfermeira.

Ambos com emprego e a filha a estudar nas escolas francesas, o casal baionense confessou que quando partiram o sonho era voltar às suas raízes e construir a casa em Baião, no entanto a vida deu uma reviravolta.

 “O sonho era voltar a Baião passados alguns anos, mas a verdade é que a vida mudou. A nossa filha começou os estudos lá, entretanto nasceram as minhas netas. A nossa vida agora é lá”, referiu Maria Rosa.

Américo e Maria Rosa confessaram que se decidem-se voltar agora para Baião iria ser difícil voltarem a habituar-se, pois consideram que a cidade de Orleans consegue oferecer-lhe uma qualidade de vida melhor.

“Em Orleans a qualidade vida que temos é melhor, temos tudo perto de casa. Em todos os pontos de vista é incomparável com Baião”, mencionou a baionense.

No que diz respeito à doença COVID-19, os baionenses contaram ao jornal “O Comércio de Baião” que apesar de existirem as restrições conseguiram voltar a Baião as duas vezes por ano, como faziam em anos antes da pandemia.

Apesar de o regresso definitivo a Baião não ser uma opção para Amério e Maria Rosa, o casal emigrante garantiu que enquanto conseguirem vão visitar o seu concelho duas vezes por ano como têm feito até ao dia de hoje.

“Baião, ainda que em segundo plano, será sempre a nossa terra do coração, enquanto for possível vamos continuar a voltar cá e a passar aqui algum tempo”, concluíram.

Mariana Carneiro

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