DANIEL GUEDES FOI PIONEIRO NO ATLETISMO EM BAIÃO E CONTA 207 PROVAS REALIZADAS E CENTENAS DE TROFÉUS

0
710

Daniel Guedes é natural de Ancede e foi pioneiro na prática do atletismo em Baião, tendo completado 207 provas, que começaram a ser desenhadas nos anos 80 em clubes como o Futebol Clube do Porto e o Boavista Futebol Clube.

 

O gosto pela modalidade surgiu aos 16 anos, quando o seu professor e padrinho, Daniel Queirós, lhe disse que “para o futebol não tinha grande jeito”.

“Ele dizia-me: tu corres é muito, devias ir para o atletismo”, recorda Daniel Guedes.

O baionense, hoje com 60 anos, começou a treinar e a realizar provas nos concelhos vizinhos e em Baião, em Santa Cruz do Douro e nas comemorações do 25 de Abril, na vila.

“Se hoje fizéssemos uma prova de atletismo só com pessoas de Baião não aparecia ninguém, mas antes havia grande dinâmica, vinham pessoas de todas as freguesias”, recorda Daniel, que treinava pelas subidas e descidas da freguesia que o viu nascer.

“Andava aqui e as pessoas diziam que era doidinho. Escondia os fatos de treino nos muros e quando voltava já não estavam lá”, lembra.

Ao jornal “o Comércio de Baião” contou um pouco da sua história e mostrou, com orgulho, os muitos troféus que ganhou ao longo da sua curta carreira, interrompida por um acidente de viação.

Numa capa, guarda os recortes de todos os jornais onde vem referenciado, com destaque para as suas conquitas e vitórias.

Começou a correr pela Associação Desportiva de Ancede e, entre 1981 e 1983, representou o Sporting Club Português, que tinha sede no Porto.

“Comecei a ganhar gosto e a treinar cada vez mais. As provas no Porto e os bons resultados deram-me a conhecer e aproximaram-me cada vez mais de atletas conhecidos, o que me deu ainda mais gosto”, conta Daniel Guedes.

Os bons resultados alcançados ao serviço do Sporting Club Português valeram a Daniel um contrato com o Futebol Clube do Porto, assinado em 1984.

“No Porto comecei a conhecer novas técnicas e novas formas de treinar. O meu treinador na altura, o Alfredo Barbosa, era o treinador da Fernanda Ribeiro, que já era uma atleta conhecida. Estive com o Porto dois anos na equipa da primeira divisão e fiz de lebre para o José Regalo, quando foi aos Jogos Olímpicos”, recorda.

Atleta e trabalhador, Daniel fazia duas vezes por semana a viagem entre a Lixa, onde trabalhava, e Contumil, para chegar ao antigo estádio do FC Porto.

“Saía às 18:00 para apanhar o comboio em Vila Meã e sair em Contumil para ir treinar no antigo estádio do Porto, no final do treino ia para Rio Tinto, onde ficava em casa da irmã e ao outro dia voltava a Vila Meã, para ir trabalhar na Lixa”, conta Daniel, que garante ter sido um dos momentos mais marcantes da sua vida”.

“No trajeto do estádio antigo do Porto até Contumil, sem luz, era sempre a correr. Era um rapaz da aldeia que foi tentar afirmar-se numa cidade grande. Na minha memória fica o ir para o Porto e não ter ninguém. Era o único que corria na altura. O chegar ao Porto e lidar com gente nova foi a maior marca e conseguir afirmar-me e ser conhecido, não como Daniel Guedes, mas como o Baião”, afirma, contando que no dia em recebeu os equipamentos do FC Porto, “foi uma alegria”.

“Não era e nem sou adepto do FC Porto, mas foi um sentimento inexplicável. Depois deixei o equipamento no cabide e fui tomar banho, quando regressei metade das coisas tinham desaparecido. Foi uma das coisas que me marcou, o entusiasmo era grande e fiquei sem metade do equipamento”, recorda, entre sorrisos e nostalgia.

Depois do FC Porto, o baionense assinou pelo Académico da Régua, “que tinha bons atletas a nível nacional”.

“Andei na melhor altura do atletismo em Portugal e corri com atletas como Fernando Mamede, António Leitão, Hélder de Jesus, Carlos Lopes, Domingos Castro, Dionísio e José Regalo. Isso motivava-me. O Alfredo Barbosa dizia que eu era o campeão dos trabalhadores, porque à minha frente só mesmo os que faziam atletismo”, frisa Daniel Guedes, que sempre aliou o desporto ao trabalho.

Entre 1986 e 1989, representou o Boavista Futebol Clube e fez campeonatos da primeira divisão no Estádio Nacional e vários campeonatos nacionais. Foi campeão regional e duas vezes vice-campeão regional. Fez provas em Vigo e em Santiago de Compostela, em Espanha.

Daniel guarda, ainda, as últimas sapatilhas que usou ao serviço do Boavista e os cartões de atleta dos clubes por onde passou.

Numa capa, guarda os recortes de todos os jornais onde vem referenciado, com destaque para as suas conquitas e vitórias.

“Recordações que não quero perder. Tenho cá tudo”, disse, apontando para um armário repleto de taças, medalhas e recordações.

Em 1988 fazia de treino 200 quilómetros por semana, intensidade que foi quebrada por um acidente de viação em setembro desse mesmo ano.

“Depois do acidente foi muito difícil chegar ao pelotão da frente. Estive um ano parado e recuperar foi muito difícil”, recorda Daniel Guedes, garantindo que “nasceu para outras coisas”.

“Ancede teve essa sorte, se fosse atleta não se fazia o que se fez, sobretudo na Associação Desportiva de Ancede. A terra ganhou muito”, observou, exaltando “as boas equipas que o acompanharam”.

Daniel Guedes foi, durante 20 anos, presidente da Associação Desportiva de Ancede e o grande impulsionador da Corrida da Bengala, prova de atletismo que leva a Ancede atletas de muitos pontos do país.

Hoje em dia ainda pratica desporto, com participação em várias provas a nível regional e nacional.

Questionado sobre o que faltou para o atletismo ter continuidade no concelho, Daniel Guedes diz que “faltou e falta uma coisa que não se trabalhou bem, que foi numa coisa em grande para haver melhores condições para todos os atletas de qualquer modalidade”, exemplificando: “dou o exemplo de um centro escolar, ali todos os meninos têm as mesmas condições. No desporto, fomos dividindo por várias freguesias e não se fez uma coisa em grande, numa estrutura municipal”.

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

seven − seven =