EDUARDO RIBEIRO DEIXOU BAIÃO HÁ MAIS DE 60 ANOS E RECORDA TEMPOS DE MENINO NO CONCELHO

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Eduardo Ribeiro tem 78 anos e recorda com lucidez quando deixou Baião, com apenas 14 anos, rumo a Lisboa para trabalhar.

 

Natural do Muro, Campelo, cedo a vida o obrigou a deixar os estudos e a trabalhar “para comer”, como contou ao jornal “O Comércio de Baião”.

“O meu pai não me deixou continuar os estudos e aos nove anos tive de ir trabalhar, mas desde os seis que andava com as ovelhas no pasto, em terras do doutor Acácio”, recorda Eduardo, que em Lisboa começou por ganhar 25 testões ao ano.

Oriundo de uma família pobre, de oito irmãos, Eduardo foi servir para casa de uma irmã, em Vilares, e foi essa irmã que o levou para Lisboa. Aos 16 anos acartava sacos de 80 quilogramas de azeitonas e trabalhava nos campos.

“Era o que aparecia”, disse, lembrando a bicicleta que lhe foi vendida “pelo senhor António Acácio e que não quis dinheiro por ela”. “Juntei e em duas semanas tinha dinheiro para pagar a bicicleta. Vim à festa de S. João para pagar os 350 escudos da bicicleta”, recorda.

Com 18 anos, e depois de se mudar para Sintra, casou e teve a primeira filha. Desse casamento, que terminou em divórcio, teve outro filho. “Depois desse casamento não quis casar mais, mas juntei-me com mais duas senhoras, que já faleceram. Eduardo tem mais dois filhos da segunda mulher e é na casa do filho mais novo, na Venda do Pinheiro, que vive atualmente.

“Fui operado às mãos, primeiro a uma e depois à outra, e não posso fazer quase nada”, lamentou, dado que gosta de estar ativo e de andar de moto.

Eduardo Ribeiro recorda os tempos de menino em Baião e conta, com orgulho e brilho nos olhos, como ajudou na construção do hospital.

“Acartei lenha e mato para fazer leilões a favor do hospital”, salientou, recordando uma canção cantada na altura e que partilhou, com voz ainda afinada, com a nossa reportagem:

“Viva o hospital, viva a vila de Baião, cantinho de Portugal, trago-te eu no coração. Hospital de Baião, auxílio dos pobrezinhos, em ti nasce o conforto para curar os doentinhos. Somo todos baionenses, nossa terra é S. João, freguesia de Ovil, no concelho de Baião. Ó senhor doutor Acácio, presidente dá assistência, médico do hospital, saudamos vossa excelência. Senhor Albino de Carvalho, provedor do hospital, senhor da iniciativa e do espírito moral”.

“Vinham esses ranchos todos do concelho e cada um fazia a sua música”, lembra Eduardo.

Sempre com Baião no coração, não fosse ele sócio dos Bombeiros de Baião e assinante do jornal “O Comércio de Baião”, Eduardo Ribeiro regressa, quando pode, ao lugar de Prenho, junto ao campo de futebol, onde tem “uma casinha e um terreno”. “Estamos cá agora para vedar e limpar”, contou, confessando “que gosta de estar na Venda do Pinheiro”.

“Não esqueço Baião e as pessoas conhecidas. Gosto de receber o jornal e a primeira página que abro é a dos falecidos, para ver se conheço quem morreu”, conta.

 

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